Fátima's Modas
FATIMAS MODAS
Há cerca de seis meses saímos de um confinamento difícil e estranho. Hoje já em 2021 e no segundo grande confinamento devido a esta Pandemia que vai marcar este século, a estranheza já não é a mesma, há uma certa quietude de quem passa por isto novamente, mas a dificuldade essa talvez se adense.
Nesta entrevista à Fátima Rocha, natural de Nespereira Cinfães, gerente da loja Fátimas Modas, reconhecemos uma atitude positiva, essencial a recomeços. Que se tome este novo confinamento como uma oportunidade de olhar para os negócios, para as necessidades dos clientes e encontrar planos B, tal como a Fátima fez.
Como nasceu a Loja?
A loja nasceu por acaso. Há 15 anos, o meu pai decidiu dividir a empresa e eu acabei por ficar com esta loja. Depois, em conversa com uma amiga, decidimos abrir. Naquela altura vendia-se muito bem em Castro Daire, apesar de haver muitas lojas do mesmo ramo. Como a loja era muito grande e estava fora do centro da Vila, apostámos em comercializar um leque muito variado de roupas.
O que mais gosta neste ramo?
Gosto do contato direto com as pessoas, de conviver, de conversar e de ouvir, conhecem-se pessoas, criam-se laços de amizade e a partir daí fazem-se negócios.
Esta localização porquê?
Está localizada perto da Feira das Vacas, um local de referência da Vila, e também porque ficava perto do restaurante Rocha, que era do meu marido.
Numa perspetiva de dinamização dos negócios, o que acha que faz falta em Castro Daire?
Acho que faz falta indústria, trabalho para mulheres, fábricas. Isso era essencial para isto (Castro Daire) começar a andar.
Com dinamiza o seu negócio?
Tenho página do Facebook, faço vendas online, se me pedirem, claro que sim, e vendas diretas.
Que produtos podemos encontrar na Fatima`s modas?
Podem encontrar um bocadinho de tudo, desde tshirts de homem, de mulher, roupa normal do dia a dia e até vestidos de cerimónia, também alugo. Também apostei em tamanhos grandes, dada a dificuldade que por vezes existe em encontrar roupas para pessoas mais avantajadas.
Nesta fase de pandemia, teve que se reinventar? E como tem jeito para a costura...
Sim, esse foi o plano B, uma vez que devido a não existirem eventos, e as vendas de roupa terem uma grande quebra, dediquei-me ao fabrico de máscaras. Faço máscaras personalizadas e certificadas pelo Citeve, temos toda a documentação. Tenho encomendas de várias empresas, que pretendem as máscaras com os seus logotipos, os restaurantes, até gabinetes de contabilidade. Temos também em 3D e também para crianças, com os desenhos de bonecos que eles gostam. Neste momento temos muita procura. Quando abri a loja não sabia pregar um botão, mas agora até já faço vestidos (risos).
Qual o público que procura a sua loja?
Todo o tipo de clientes, visto todas as idades, porque tenho um pouquito de tudo, desde cuecas, meias, soutiens tamanhos grandes, etc. Para crianças só tenho roupas de cerimónia.
Qual o futuro do negócio? Tem alguém que lhe dê continuidade?
Não tem futuro, a minha filha e os meus filhos e noras não vão ficar por cá, aliás já estão fora do país. Não estou ver a minha filha atrás de um balcão, não é para isto que ela anda a estudar. Costumo dizer que quando eu morrer a loja vai atrás de mim.
Fátima, neste momento de confinamento, teve tempo para pensar em si, no que não fez por ti e o que quer fazer nos próximos tempos?
Neste momento de pandemia deu para refletir um pouco, o trabalho não é tudo, podemos parar a qualquer momento! A partir de agora, se me apetecer ir de férias vou e não penso duas vezes.
Como olha o mundo em geral. A sociedade está bem, é preciso mexer nesta sociedade? O que é preciso mudar?
Acho que é preciso mudar esta sociedade, devemos pensar mais nos outros, não só em nós mesmos, não apontar o dedo e ajudar. Há muita gente a passar mal. Eu tenho ajudado naquilo que posso.
Castro Daire é um bom sítio para viver?
Sim, gosto de cá, não me vejo a viver noutro lado, já cá estou há 30 e tal anos. As pessoas, de um modo geral, são boas.
